Não Invente Moda

Numa dessas conversas numa roda de jovens fervorosos, fui surpreendido com uma pergunta acerca de como determinado ministério bem popular estava estimulando as pessoas a participarem do mover profético. Então eles me indagaram: “E aí, é certo, ou não é?”. Aparentemente eu estava numa sinuca de boca. Por um lado eu via jovens intensos, que realmente eram diferenciados na sua dedicação pela comunhão com o Espírito Santo e muito fervorosos; por outro, eu sabia que o ministério em questão é muito proeminente no Brasil, bem quisto por muitos cristãos, e, além do mais, tinha o coração daqueles jovens. Esse ministério se tornou uma referência para eles. Porém a maneira como estavam estimulando uma verdade espiritual era duvidosa e perigosa. 

   Eu não sou muito velho, mas, acompanhando a história de alguns homens de Deus, como Kenneth Hagin, percebi que existe algumas “modinhas” que vem e voltam no meio evangélico. Certas doutrinas parecem ser novas, mas são apenas uma maneira diferente de abordar um mesmo ponto de forma exacerbada. De décadas em décadas alguns cristãos ressurgem com a “nova doutrina”, dando um enfoque mais atual, com uma nova roupagem, cativando a muitos com aquele ar de revelação.

   Um dos livros que mais tratou comigo foi “Ele Concedeu Dons aos Homens” do Kenneth Hagin, no qual ele trata sobre os dons ministeriais e, também, de algumas problemáticas comuns a esses ofícios. Confesso que esse livro me surpreendeu profundamente e na minha opinião é o que aborda melhor o tema. No livro ele descreve de maneira muito equilibrada o dom profético e os excessos que são comuns nesse ministério. Com base nesse mesmo livro, sabendo que aqueles jovens foram ensinados nos fundamentos da fé, os exortei lhes contando sobre como Kenneth Hagin tratou dos abusos do dom profético. 

   A verdade é que é difícil ouvir uma correção que vai contrário a corrente, principalmente se estamos, não apenas simpatizados, mas envolvidos emocionalmente com uma doutrina não-bíblica. Para piorar, vivemos em uma era em que as pessoas são radicalmente estimuladas nas suas emoções. Tecnologias trazem diversidade e acessibilidade, então elas podem facilmente ter acesso a diversos tipos de pregadores e mensagens que desejarem.

  Paulo, entretanto, foi muito incisivo com Timóteo para que ele permanecesse na doutrina, estudasse e mantivesse sua fé protegida, a mesma fé que sua vó e sua mãe possuíam, ainda que parecesse antiquado.

   Meu recado através desse texto é simples: Não invente moda! Guarde a doutrina! 

   É muito triste ver o que a vaidade de tanto jovens pregadores têm causado. Numa tentativa de buscar maior influência, cada um quer ter uma revelação mais nova e chocante. Pregações são recheadas de mensagens de efeitos, que mais destroem do que edificam. Sempre há novos métodos de como alcançar uma espiritualidade quase que nirvana. São muitos canais de YouTube, muitos hipsters, efeitos sonoros e conferences sem fim (detalhe para o termo em inglês, porque assim fica mais cool). 

   Olhando assim parece até que sou antiquado e averso a qualquer inovação. Pelo contrário, não sou contra nenhuma dessas coisas. Porém nada disso é o principal e nada disso deve jamais distorcer a Palavra. Prefira ficar com a Palavra do que qualquer nova invenção de moda, mesmo que aparentemente pareça estar dando certo. A Palavra é sempre atual do jeito que ela é, porque ela é eterna e todas as demais coisas passarão. 

   Também não quero esfriar a chama de ninguém quanto a busca pelos dons espirituais, antes, eu fico com a Palavra, que nos admoesta a buscarmos com um desejo feroz e apaixonado pelas manifestações deles. Contudo, volto a repetir: independente da nova onda que vier, permaneça na Palavra. Não se envolva emocionalmente com movimentos ao ponto de negociar princípios.